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Ativista da igualdade racial denuncia agressão por uso de turbante em festa

Por: Litoral 24 horas 24/04/2017 14:33

Ativista da igualdade racial denuncia agressão por uso de turbante em festa

RIO - Bastante emocionada, afirmando que as lágrimas molhavam a tela do celular, a estudante Dandara Tonantzin Castro, de 23 anos, fez um longo relato no Facebook contando sobre um episódio de racismo durante uma festa de formatura em Uberlândia, Minas Gerais. Para o evento, sábado, numa casa chamada Palácio de Cristal, Dandara escolheu usar um vestido branco e um turbante dourado, mas foi alvo de constrangimento e violência por causa do acessório.

Neste domingo, mesmo dia em que publicou seu post, Dandara, que é representante Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), registrou queixa por racismo contra seus agressores numa delegacia de Uberlândia.

— Já fui vítima de racismo, mas foi a primeira vez em que usaram violência. Sofri preconceitos em aviões, aeroportos e até em sala de aula. Dessa vez, além do racismo, houve intolerância religiosa porque o turbante remete a religiões de matriz africana. Houve também machismo. Os agressores eram todos homens. Eles riam, debochavam — desabafou Dandara, ainda emocionada, nesta segunda-feira, ao GLOBO.

 

Com o título “A nossa presença incomoda”, o post de Dandara relata o que aconteceu desde quando chegou à formatura de amigos do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O desabafo já conta com 8,6 mil compartilhamentos e mais de 36 mil curtidas.

 

“ Na noite de ontem, no baile, fui de TURBANTE (ela escreveu assim mesmo, em caixa alta). No início muitos olhares incomodados, mas os vários elogios me acalmavam. Quase no fim da festa, já do lado de fora um cara branco, puxou meu turbante forte. Disse para ele soltar e saí”.

 

A estudante segue o relato e descreve a violenta reação do rapaz, que ainda chamou outros homens:

“Quando passei por ele novamente, sozinha, ele puxou pela segunda vez, fiquei tão brava que gritei para ele não tocar no meu turbante. Ele acenou para os amigos virem, quando juntaram em uma rodinha um deles puxou o turbante da minha cabeça e jogou no chão. Quando fui catar, incrédula do que estava acontecendo, jogaram cerveja em mim. Muita cerveja. Fiquei cega, sai desesperada para achar meus amigos. Sabia que se ficasse ali poderia até ter mais agressões físicas.”

Os seguranças foram chamados. Segundo Dandara, todos eram negros, entenderam que se tratava de racismo e retiraram os rapazes da festa:

“ Um deles teve a cara de pau de falar ao segurança que não meu agrediu "só tirei aquele turbante da cabeça dela". As namoradas (todas brancas) vieram pra cima de mim. Tentei explicar que era racismo, o cinismo prevaleceu e sem êxito sai de perto. Ficaram de cima dos seguranças pedindo para me tirar da festa também, como se a minha presença fosse um problema. Meus amigos ainda tentaram conversar mas o ódio cega. Quando fui no banheiro ainda tive que ouvir ameaças indiretas, sobre me bater e outras coisas terríveis que não consigo nem dizer aqui. Fomos os últimos a sair por medo de fazerem alguma coisa conosco do lado de fora.”

— Na hora que tudo ocorreu, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Fiquei desesperada, porque nunca esperei acontecer uma coisa dessas. Acho que eles nem poderiam imaginar que eu fosse uma ativista na questão do direito dos negros — disse a estudante.

Dandara Tonantzin Castro disse que se manteve forte por muito tempo, mas que o racismo é cruel. “Negros na formatura? Na limpeza, segurança ou servindo. Me mantive forte muito tempo. Mas o racismo é cruel. Minha lágrimas estão molhando muito a tela do celular, só de pensar que estes e tantos outros passaram impunes. Tenho muito orgulho de ter formado um preto, pobre vindo do interior como o Filipe Almeida, seguimos com a certeza de que vamos resistir.”

A maioria dos comentários é de apoio e incentivo ao uso do turbante:

 

"Pois eu acho que você tá a coisinha mais diva que eu já vi hoje. Usa turbante sim, gata! Usa o turbante”

“Meu Deus, q triste! Lamento e me envergonho pelo comportamento desses vândalos preconceituosos. Você é linda, não se deixe abater!”

"Meu Deus que absurdo! Deve ter partido de pessoas inescrupulosas, sem princípio, sem formação, sem caráter. Deveria prestar queixa desses indivíduos e abrir um processo."