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Possível verticalização de cidade do litoral de SP gera polêmica na web

Por: Litoral 24 horas 13/08/2015 14:17

Possível verticalização de cidade do litoral de SP gera polêmica na web

Possíveis alterações no Plano Diretor de Bertioga, no litoral de São Paulo, têm preocupado moradores da cidade, principalmente no que diz respeito à construção de novos prédios. Para chamar a atenção sobre o assunto, um grupo produziu um vídeo com o tema "Verticaliza Não" . O material está sendo divulgado nas redes sociais por munícipes contrários à alteração. Sobre a polêmica, a prefeitura alega que o assunto está sendo debatido em audiências públicas e que a intenção é regularizar o que já existe.

Além da revisão do Plano Diretor, em debate há alguns meses na cidade, um estudo feito pela Fundação Seade apontou que Bertioga registrou o maior crescimento populacional do Estado nos últimos cinco anos. Os números indicam um aumento de 3,24% ao ano. A instituição analisou a dinâmica populacional a partir dos componentes responsáveis pelo crescimento, que são fecundidade, migração e mortalidade.
 

Para a arquiteta Anaue Schust, o assunto em pauta é uma "faca de dois gumes" e não se pode afirmar que a mudança trará mais pontos positivos ou negativos. "Acredito ser imprescindível para o desenvolvimento e evolução da cidade. Porém, se isso não for muito bem estudado, as obras podem modificar drasticamente o nosso município, trazendo como consequência a perda de ventilação natural, aumento de umidade, sombras na praia e trânsito, pelo aumento de veículos", pondera.

O levantamento mostra que Bertioga passa por um momento de expansão, no entanto, por se tratar uma cidade turística e composta, em sua maioria, por áreas preservadas, o assunto se torna ainda mais delicado. Segundo a prefeitura, atualmente não há uma previsão máxima de altura para a construção de prédios na chamada "Zona Turística".

“Hoje, se permite construir prédios de até 15 andares e 10 pavimentos na orla, mas não se fala em metragem, altura. Se você construir um triplex de 15 andares, ele vai passar dos 135 metros e estará, teoricamente, dentro da legislação vigente. A proposta é regulamentar uma altura máxima. Durante as reuniões, o tamanho sugerido foi de 80 metros, ainda abaixo dos edifícios que temos”, defende o presidente do Núcleo Gestor do Plano Diretor, Manoel Prieto Alvarez.
 

Prieto acrescenta que é necessário criar novas ofertas de moradia na cidade, prevendo um futuro crescimento populacional ordenado. “Nós temos 492 km² de território, mas só 22 km² de área ocupada oferecida para moradia. É o que podemos usar. O bairro Chácara Linda, por exemplo, saltou de 1.800 habitantes em 2010 para quase 7.000 este ano, e precisamos arranjar espaço e regularizar os loteamentos. A grande preocupação é que as pessoas comecem a invadir as áreas ambientais”, reforça.

No entanto, o discurso da administração parece não agradar alguns moradores. Segundo o empresário do ramo da informática, Fabio Sabino, a "verticalização" afetaria diretamente a qualidade de vida. “Tudo isso por uma simples especulação imobiliária. A cidade não comporta a população horizontal, imagine verticalizando. Já pensou, o esgoto minando igual chafariz pela cidade, por dias, após as chuvas? Teremos que lidar com o cheiro de esgoto, além da contaminação do solo e dos rios”, contesta.

Próximas audiências públicas
As próximas audiências sobre o tema estão marcadas para sexta-feira (14), no Espaço Cidadão do bairro Boracéia (Rua José Costa, 138); segunda-feira (17), no Espaço Cidadão do Centro (Avenida Anchieta, 392); e terça-feira (18), na EMEIF do bairro Vista Linda (Avenida Anchieta, 8.619). As reuniões são abertas ao público e ocorrem sempre a partir das 19h.